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Saudade

Saudade... Faz tudo residir no ontem e o sentimento que me aflige traz a emergência a cavalo, desejo fazer coevo o ardor no que vivo hoje, tenho ânsia de matar a fome de verdade emocional.


Em qual época eu precisarei mudar amadurecer por envelhecer. Não entendo sequer se já passei do tempo e fico por aí a serviço da zombaria alheia. Mas aprendi, bastante bem, que a gratuitidade do que a vida oferece, clássica fantasia da mocidade, já se foi. O sucesso, a fortuna, o deleite, a saúde, o encanto da forma, o contentamento, a credibilidade, a consideração, a concretização e o que mais você desejar conjeturar na vida é decorrência de labuta, persistência, teimosia mesmo. 


Assim, não me enlouqueço tanto mais no experimento vão de descobrir quem me faça feliz. Anseio, desejo, uma companhia na alegria que eu possa encontrar por mim mesma e, já que é fatal, igualmente nos momentos, por vezes longos, de dor, medo e desesperança.


As pessoas têm horror a mencionar DOR! Ainda conscientes de que não há capitalização que nos avise, e não há cautela que nos resguarde dela. Virá como a estiagem e a tempestade sempre vêm. A questão torna-se sobre recursos, então. Há recurso maior que um encontro amoroso? Fogoso, verídico, intenso, e ao mesmo tempo tépido e apaziguador. 


Gratuito? Nunca... Primeiro, é necessário que seja custoso, oneroso de tempo, de força, de investimento. Não há acasos, quase tudo são conquistas. É imprescindível que se traga consciência do amor. E categoricamente necessário que se inclua o medo de arruiná-lo, perde-lo (ainda compreendendo de antemão que este fator é inevitável). Mais imperioso ainda, entretanto, é o medo de abdicar-se. Não é o outro que nos impede, que nos apresa, que nos torna subordinados, dependentes. Somos nós mesmos que o arranjamos por nossa própria incapacidade. O outro, ou o amor, nos convém apenas como motivo. Um mau pretexto. Um mau uso.


E a Liberdade... Esta para qual Nunca é uma palavra que não existe, peguemo-la pelas delicadas mãos. Não há algemas mais singelas posto que é desprovida de força.


O mais importante: saudade é prova, de que vida existiu, houve, aconteceu e repercutiu!

Guardo-a toda, como sapato velho, daquele que não abrirei mão!


Beijo-te, desta vez na boca com paixão, com ardência, longamente, por teres ordenado de novo a minha voz.