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Disse um poeta:




"A vida é  feita de nadas, de grandes serras paradas, a espera de movimento!"


Ah!

Tenho ouvido muito sobre os movimentos que o Prosecco, o Pisco, a Vodca, o Cabernet e tantas novas uvas, a Tequila, o Absinto andam causando... Às custas desses, Ionesco tem sido plagiado, mas aqui todos estão virando poetas!


Uns, tentam veementemente agarrar-se às regras gramaticais! Ficam indecisos com as colocações pronominais!


Outros atiram frases: pedras redondas no rio, tentando a rima perfeita.


Há aquele que se embriaga até a embriaguez das paixões e confunde tudo. A bebida abaixa na garrafa, a confusão aumenta no coração! 

Querendo esquecer aquela que, pouco a pouco, desfunde-se de outra... 

Como amo aquela mulher... Com El Cuervo repetindo no umbral de sua alma: Never more, never more...


Síndrome de segundo semestre?

Haverá terceira guerra até dia 20?

Eram os Deuses Astronautas?


E eu poetisa careta! Onde esqueci meu copo de veneno? Meu cálice de cólera? Lá em cima do piano, com as antigas cirandas infantis?


Que importa... 

Tudo apenas me chega como chegam as folhas secas no outono e cobrem as calçadas com suas cores maravilhosas. Como chegam as jandaias na primavera, naturalmente, com o alegre alarde nos dias de sol... Tudo me vem parar diante dos olhos, nas mãos como as chuvas repentinas de verão!


Sinto-me ladra da privacidade alheia, mas que culpa tenho das confissões dos que me acercam? Nada lhes peço. Tudo se aconchega, se aninha em mim – parece brincadeira! E a culpa é do Prosecco, do Pisco, da Vodca, do Cabernet, da Tequila., do Absinto, nunca do que vai no coração!


Ah! Céus, um sinal!


Um relâmpago, um canto de um pássaro noturno! Um tocar de celular fora de hora, sem engano, sem burla: Notícias de quem amo, dos poucos amigos, um oi perdido no escuro, uma saudade legítima, que não se contenha, das profundezas de um desses poetas modernos, que já não sabe escrever porque inventaram o DEL, que já não sabe amar sua musa, porque inventaram o PHOTOSHOP!


Insisto: Desejar é ter o poder de Criar:


Faça-se um tinteiro, escreva-se sem pena com a pena encharcada em tinta... Ressuscite-se mata-borrão, poetas encharcais agora vossos corações frente ao papel nu, transbordem verdades, transbordem amores, pois já não se pode apagar!


E só a ti,

Oh! Meu Poeta, porque és Poeta em minha noite eterna!

Vem, entreguemo-nos, então, envelopes lacrados, porque não há tormento maior que não auferir as palavras que só a nós são destinadas!