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Noite de São Bartolomeu


As revoluções advêm no mais profundo silêncio.

Reside na insatisfação uma força motriz de trasmutação: O dedo apontado para a obrigação de fazer de outro modo, de rever o estabelecido, de sair da repetição do que nos leva sempre ao mesmo destino, ao moto-contínuo.

O novo deve surgir sobre os pilares de cada alma, na mesma existência.



Vejo-te com o indecifrável sorriso maroto a querer plantar-me dúvidas. E mesmo sobre estas, ainda tenho dúvidas se me acabrunho mais com a dúvida que me aceira quanto ao pouco que pronuncias ou quanto ao muito que não verbalizas, mas cujo volume me é ensurdecedor (não tenho dúvidas, então, posto que escuto o que nunca é dito, o que nunca repito).


São ecos das aspirações que devem residir no ontem.

Mas as forças, de todos os exaltados, trazem um manifesto explícito tatuado nos olhos da égua noturna.

                                                

E surge o desejo de materializar o ardor do que vislumbrei hoje, tendo a ânsia coesa de matar a fome (com a verdade emocional) desses espíritos animais que atravessam as almas com seus cascos de fogo:


Em qual época será necessário mudar amadurecer por envelhecer?

Não entendes sequer se já passou do tempo e ficas por aí a serviço da zombaria alheia.


Aprendi, bastante bem, que a gratuidade do que a vida oferece, clássica fantasia da mocidade, já se foi. O sucesso, a fortuna, o deleite, a saúde, o encanto da forma, o contentamento, a credibilidade, a consideração, a concretização e o que mais desejares conjeturar na vida é decorrência de labuta, persistência, paciência mesmo. E merecimento... como diz meu irmão: não basta ser bom, ser craque, é preciso ter merecimento!


Assim, deixemos de enlouquecer no experimento vão de descobrir quem nos faça feliz. Ansiamos, desejamos companhia, na alegria, mas há de  ser a que encontramos em nós mesmos e, já que é fatal, igualmente nos momentos, por vezes longos, de dor, medo e desesperança.


As pessoas têm horror de mencionar DOR & SOLIDÃO! Ainda conscientes de que não há capitalização que nos avise, e não há cautela que nos resguarde delas.  A primeira virá como a estiagem e a tempestade sempre vêm, a segunda é nossa realidade.


A questão torna-se sobre recursos, então. Não há acasos, quase tudo são conquistas. Independente do fato é imprescindível que se traga consciência do outro.


É categoricamente necessário que se inclua o medo de arruinar, perder (ainda compreendendo de antemão que este fator é inevitável). Mais imperioso ainda, entretanto, é o medo de abdicar-se. Não é o outro que nos impede, que nos apressa, que nos torna subordinados, dependentes. Somos nós mesmos que o arranjamos por nossa própria incapacidade. O outro, nos convém apenas como motivo. Um mau pretexto. Um mau uso.


Por aí que andei vagando nesta que foi nossa noite de São Bartolomeu, entre guerras, viravoltas, dores de ódios/amores, revoluções, beijos quase ardentes e silêncios... Um pouco longos, é verdade, mas forçosos, porque que neles ouço os ecos, sem intromissões, sem interferências.


Carregas um arquipélago inteiro nas mãos: renascer de  si mesmo é preciso (Brand New).

Ruíste com a casa, não há mais o porquê de levar os pormenores da história para a praça.

Ordena tua voz!  

Tudo que não tem nome, não pode ser chamado, o que não pode ser chamado, não atenderá ao apelo do mal.

E a Liberdade... Esta para qual NUNCA é uma palavra que não existe, estenda-lhe as mãos.

Não há algemas mais singelas posto que é desprovida de força....