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Amor

Existe uma importância para a vida, um valor, que só distingue quem AMAR com toda a entrega, sem impaciência, mas com loucura e um quê de desespero, ainda que camuflado, que refreado pelas rédeas da prudência. 


Não posso divergir disso. Fazê-lo significaria unicamente exercitar minha hipocrisia e meia verdade é só a mentira inteira. Não tenho o que argumentar sobre isso. Ou abstrair. Ou que chorar.


Após tantos séculos, de diferentes dores e de desmedidos vazios, consigo discernir a lição na perda. (E que estrago...) Assim, destarte, deve ser um ensino de peso, do mais valioso, deste que não se pode passar sem, com o perigo de parar a vida na sarjeta e ali deixa-la para sempre, estacionada como indigente.


E nessas existências revejo meus estigmas, minhas cicatrizes, e me explano, descubro, traduzo, mais uma silabazinha entre tantos hieróglifos. 


Dia a dia mais convencida de que, uma vez conhecido esse AMOR, nunca mais se perpetra por menos. Seu caminho doutrina um estado de existência, uma conexão com o mundo. Isso acontece de tal modo que é imperativo que se faça a travessia do medo.


Eis a situação que se introduz:

Haverá como cursá-la sem medo?

Não acredito....

E no reconhecimento de cada choque, é outra vez o medo quem chega, agora pela conscientização da perda inevitável. 

Mas é isso: há como conhecer, por antecipação, a morte sem receio?

Se essa é a condição humana, infligida pela finitude?


Será que a maior lição, aquela tão complexa, está em instruir-se de em novo olhar? 


Eis que Amor que só pode ser íntegro, pleno, cabal, por ter a causa dirigida sempre ao outro e não às mesquinharias das nossas ambições, dos nossos comandos, dos nossos domínios.


Afaga-me, então, o episódio de que bastam raras horas para que conheça o esvanecer desta urgência, deste me perder por enseadas que não me levam a dois passos de onde estou.


Se lamento alguma coisa?

Além daquele beijo que não dei, na garagem de um estranho, em um dia de chuva?

Sim, lamento, estes séculos em que deixei o AMOR pedido, desamparado, no cárcere dos condenados à prisão eterna, como sendo ele o carrasco.


E repito: no que diz respeito à liberdade, nunca é uma palavra que não existe.


Foi muito, muito bom te ver.

Ficar com teu gosto e teu cheiro em mim.


Lembrar que existe uma importância para a vida, um valor, que só distingue quem AMOU com toda a entrega, sem impaciência, mas com loucura e um quê de desespero, ainda que camuflado, que refreado pelas rédeas da prudência.